Domingo, 13 de Junho de 2004

bride of the zombie: angelina jolie

...

é improvável que encontrem qualquer tipo de informação útil nas linhas que se seguem; no fim darei uma curta lista de filmes que talvez tenha alguma utilidade, mas até lá isto não passará de masturbação (o que, de qualquer forma, não é de menosprezar; como dizia woody allen, masturbação significa fazer amor com alguém que se ama).

angelina jolie é uma aberração da natureza. ou esta mulher tem um grave problema físico ou é o elo perdido entre humanos e deuses—venha o diabo e escolha! mitologia à parte, acho que deficiência física é a explicação mais plausível, considerando que não abundam explicações racionais para ela ser como é. este seu problema é algo que me toca profundamente e que mexe com os meus sentimentos mais altruístas; se houvesse justiça no mundo, angelina jolie estaria a receber um qualquer subsídio do estado, uma espécie de pensão de alimentos ou algo do género. se me dissessem que os impostos que pago reverteriam a favor desta causa, verteria menos lágrimas sobre os meus recibos de vencimento.

o início da carreira de angelina jolie passou-me despercebido. se há seis ou sete anos atrás me falassem dela teriam de me dizer «aquela que fez o filme x ou y», ao que eu responderia «aah, já sei»; hoje basta pronunciarem a primeira sílaba, seja do nome ou do apelido. se hoje isso acontece, deve-se única e exclusivamente a ela, porque no que diz respeito à grande maioria dos filmes em que participa, pouco ou nada têm de memorável.

não pensem que é só uma coisa física. longe disso. há muito que já percebi e admiro a receita: angelina jolie é um terço de beleza, um terço de atitude e um terço de talento. a atitude e o talento foram herdados do pai, o actor jon voight; a beleza não sei, mas seja lá quem for o responsável, abençoado seja (provavelmente a mãe—minha senhora, abençoada seja; merece um santuário maior que o de fátima!).

há três anos atrás tive o prazer de me cruzar com angelina jolie e jon voight no four seasons hotel em los angeles; ele tinha acabado de estrear o abominável pearl harbor e ela promovia o lara croft: tomb raider. apesar do óscar ganho dois anos antes por girl interrupted e do crescente apelo comercial, angelina era ainda uma actriz nitidamente insegura — falava-se das actrizes de charlie's angels e ela colocava-se à defesa como se estivesse a ser comparada.

reservada, mas simpática, angelina tinha uma aura irresistível que denunciava os extremos da sua personalidade, da sua cândida doçura à sua natureza rebelde. a ausência de maquilhagem e a luz natural evidenciavam a sua beleza, os seus olhos grandes, o seu olhar acutilante e os seus lábios, que são, sem sombra de dúvida, o maior atentado de deus à humanidade.

em carne e osso, vestida casualmente com jeans e t-shirt, angelina afasta-se ligeiramente da imagem que temos dela em celulóide—não pela roupa, mas pelo que a roupa esconde—, mas o que ela tem a menos em carne, compensa em atitude (basta-me fechar os olhos e imaginar as palavras «you’re young, you’re drunk, you’re in bed, you have knives; shit happens» proferidas por aquela boca para ficar com as hormonas aos saltos). para quê implantes de silicone ou cirurgias plásticas?... angelina jolie não precisa de tuning.

já que trouxe citações ao barulho, vale a pena recordar que colecciona facas e que, segundo consta, a sua comida favorita é carne vermelha, sangrenta de preferência. e por falar em sangue, não esqueçamos que esta mulher, no dia do seu primeiro casamento, escreveu com o seu próprio sangue o nome do noivo, o actor jonny lee miller, na t-shirt branca que vestia. a lista de excentricidades tem muitas entradas, mas só quero destacar mais uma: quando era miúda, angelina jolie sonhava dirigir uma agência funerária... percebem agora porque é que esta mulher é a perdição de qualquer zombie?

angelina jolie é uma actriz de talento, mas, infelizmente, é desperdiçada em filmes corriqueiros. nunca é a sua performance que desaponta; é sempre o filme. nunca é a sua performance que fica aquém do filme; é sempre o filme que fica aquém da sua performance. um exemplo óbvio é o óscar de melhor actriz num papel secundário, ganho pela sua interpretação num filme que pouco mais é do que banal. vamos, então, aos filmes. segue-se uma lista de cinco, cada um com uma pequena nota sobre o porquê da escolha:

gia, de michael cristofer (1998)
angelina põe a nu o corpo e o talento. biopic da suposta primeira supermodel americana e uma das primeiras mulheres na américa cuja morte foi atribuída ao vírus da sida. "too beautiful to die, too wild to live" é a tag line do filme, mas poderia bem ser a razão pela qual angelina jolie é perfeita para o papel. (5/10)

playing by heart, de willard carroll (1998)
o melhor filme em que participou até ao momento. filme mosaico com várias histórias em rota convergente e um elenco de luxo. angelina jolie e ryan phillippe partilham uma das histórias e conseguem o que, por exemplo, sean connery e ellen burstyn não conseguem neste mesmo filme: provocar-nos a ânsia que a narrativa volte a focar-se na sua história. (7/10)

girl interrupted, de james mangold (1999)
versão de saias de one flew over the cuckoo's nest. se não fosse pela soberba interpretação de angelina jolie—que lhe valeu o óscar—, via-se uma vez e arrumava-se o assunto. também se revê bem numa tarde de fim-de-semana se se apanhar num zapping televisivo e não houver mais nada para fazer. (5/10)

pushing tin, de mike newell (1999)
o único filme desta lista que não “pertence” a angelina jolie. john cusack e billy bob thornton são donos e senhores do filme, que, infelizmente, à medida que evolui vai perdendo a garra que os actores lutam para manter. cusack e thornton são dois controladores aéreos armados em galos de capoeira e angelina é a galinha destabilizadora. (6/10)

lara croft: tomb raider, de simon west (2001)
não é, nem de longe, a oitava maravilha do mundo, mas também não é o escarro que muita gente apregoa. é uma aventura pueril cheia de misticismo que, acredito, nem os próprios criadores saberão o que significa; mas escolher angelina jolie para o papel principal foi o mais genial e inspirado casting dos últimos anos. (4/10)

marco

publicado por jorge às 03:34
link do post | comentar | favorito
|
2 comentários:
De Anónimo a 15 de Junho de 2004 às 14:12
Eu não sei se já viram, mas têm de ver o teledisco dos Rolling Stones, "Anybody Seen My Baby". Deve ser das primeiras aparições da Angelina (eu trato-a assim, quando estamos sozinhos) e onde está... maravilhosa!dermot
(http://www.cinephilus.blogspot.com)
(mailto:cinephilus@mail.pt)


De Anónimo a 13 de Junho de 2004 às 12:02
no meio disto tudo só gostava de ter assistido à despedida de solteira.

viva a noiva!sam
</a>
(mailto:samantavelho@lycos.com)


Comentar post