Domingo, 23 de Maio de 2004

o zombie já viu: the punisher

the punisher

um filme de jonathan hensleigh
com tom jane, john travolta, will patton e rebecca romijn-stamos
estados unidos, 2004 imdb

para quem não saiba, esta não é a primeira adaptação de the punisher ao cinema. em 1989, dolph lundgren protagonizou um filme baseado nesta personagem da marvel comics e o resultado foi tão mau que esse filme foi directo para vídeo até nos estados unidos. portanto, se não estiverem familiarizados com a dita obra, não se preocupem, nada de errado se passa convosco; preocupante é, isso sim, se se lembrarem dela. pela parte que me toca, já consegui apagar da minha memória qualquer pormenor relacionado com o filme; subsiste ainda a recordação da sua existência, mas essa eu quero manter, não vá eu encontrar uma cópia num clube de vídeo e não tenha argumentos para contrariar a tentação.

quanto ao novo the punisher, com tom jane no papel principal, bem, encolhe-se os ombros e diz-se «vê-se». nota-se o esforço para fazer as coisas resultarem, mas esse esforço não é direccionado para um objectivo concreto. o filme esforça-se por tanta coisa, distribuindo as suas forças pelo rol de preocupações que o assola, que depois lhe falta o fôlego para equilibrar tudo. the punisher é mais um daqueles exemplos de adaptações de comics presas no limbo, entre a pretensão de ser um filme e o peso das suas raízes. hulk, de ang lee, prova que o equilíbrio entre as duas artes é possível e batman, de tim burton, prova que a reinvenção é mais válida que a adaptação... ou então, estes dois filmes são tão bons pela simples razão de serem realizados por indivíduos criativos, em oposição aos tarefeiros que os estúdios contratam para fazer vender o peixe.

the punisher é um filme irregular, bom a determinados momentos, mau a outros. exemplo: a certa altura, um assassino profissional é contratado para se ver livre de frank castle/the punisher, mas este não é um assassino qualquer... é o melhor. não só isso, como é também uma incarnação de johnny cash, com direito a guitarra e tudo. mais ainda, escreve canções que canta às suas vítimas em tom declaração das suas intenções. é uma bela personagem, sem dúvida, que apesar da caricatura tem cabimento dentro de certos limites traçados pelo filme. o mesmo já não se pode dizer de um segundo assassino que aparece, chamado russo, um indivíduo fisicamente desproporcional e vestido segundo manda o cliché para uma personagem deste tipo, que só tem cabimento se o filme expandir os seus limites; coisa que não acontece, atirando toda a sua sequência pela borda fora.

sendo um filme de vingança, a história de the punisher não tem muito que se lhe diga. frank castle é um polícia infiltrado numa operação que termina com a morte do filho de um importante criminoso, howard saint. é claro que este quer vingança e, sob sugestão da mulher, manda matar castle e toda a sua família. morrem todos menos castle e, como seria de esperar, estas coisas deixam o homem chateado. vai daí, toca a reunir todo o arsenal necessário para fazer o maior número de baixas/estragos possível, sendo que howard saint está guardado para o fim. pode parecer que não, mas a verdade é que este filme se preocupa com as suas personagens, concedendo-lhes o tempo necessário para ganharem vida; o problema é que nem todas aproveitam o tempo da melhor maneira (e de quem é a culpa? bem, se os actores até pareciam empenhados, resta o realizador... o que nos remete para o segundo parágrafo e a diferença entre realizadores com tomates e tarefeiros assalariados).

é uma pena, mas the punisher teve o tom certo nas mãos e depois deixou-o escapar por entre os dedos. o seu tema e as suas características implicavam um tratamento mais sério e sombrio, mas, lá está, é preciso tê-los no sítio para depois arcar com as consequências. ou muito me engano, ou, por aproximação ao tema e aos ambientes, alex proyas, realizador de the crow e dark city, teria feito maravilhas. jonathan hensleigh é um novato – the punisher é o seu primeiro filme – e lá dá um jeito, mas não é suficiente. o que é uma pena, porque the punisher poderia ter sido aquilo que os anúncios a filmes chamam de «a roaring rampage of revenge»...

(4/10)
marco
(estreia a 3 de junho)

publicado por jorge às 20:03
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1 comentário:
De Anónimo a 24 de Maio de 2004 às 14:19
Mas que sacrilégio tentar apagar aquela grande adaptação do Punisher, traduzida em português como Fúria Silenciosa, em que o herói era encarnado por aquele mítico actor Dolph Lundgren, especialista na arte de não-interpretar.
A rever (se algum dia o conseguisse encontrar em algum sítio).dermot
(http://cinephilus.blogspot.com)
(mailto:cinephilus@mail.pt)


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