Domingo, 23 de Maio de 2004

é domingo: top cannon

cannonlogo.jpg

se eventualmente um dia me pedissem para fazer uma lista de produtoras audiovisuais cujos filmes acompanharam a minha infância e foram responsáveis pela formação de muitas outras mentes jovens, ávidas de conhecimento durante os mais verdes anos, não precisaria de puxar muito pela cabeça para dar pelo menos três nomes óbvios: walt disney, hanna-barbera e a cannon. todas elas vocacionadas para um publico mais infantil, sendo que a última foi sempre sem querer...

a cannon, essa maravilhosa pérola da produção cinematográfica adquirida pelos primos israelitas menahem golan e yoram globus em 1979 e que cresceu, deu os seus magnificos frutos e faliu no final da década de 80. felizmente deixou-nos um legado cinematográfico de êxitos incontornáveis do cinema contemporâneo. memoráveis peças de arte, que importa relembrarmos serem produto de um contexto político-social invariavelmente ligado a uma administração governativa de ferro, a feridas por sarar originadas por uma guerra falhada e a um clima de instabilidade que gritava constantemente por heróis que levantassem a moral de uma américa perdida.

é então que se erguem personagens como cobra, braddock ou o ninja americano que fizeram as delicias de muita "criançada" por aí fora e contribuíram para fortalecer a casa da cannon. por outro lado, obviamente que só os putos se poderiam contentar com as capacidades representativas desse sinonimo de expressividade que é michael dudikoff. diria mesmo que um pouco mais expressivo e o michael correria sérios riscos de ser confundido com as partes mais quadradas do cenário.

a beleza da cannon reside exactamente nesse ponto: histórias para crianças onde os actores principais têm talentos tão escondidos que ainda hoje estão por descobrir. e porque não consigo ficar indiferente à nostalgia da cannon que me assola a alma aqui ficam algumas preciosidades para as matinees de domingo:

revenge of the ninja, de sam firstenberg (1983)
missing in action, de joseph zito (1984)
invasion u.s.a., de joseph zito (1985)
death wish 3, de michael winner (1985)
american ninja, de sam firstenberg (1985)
the delta force, de menahem golan (1986)
cobra, de george p. cosmatos (1986)
over the top, de menahem golan (1987)
bloodsport, de newt arnold (1988)

pedro



"cannon was really a good company to work for, actually. they made hundreds of movies. they did not have that many hit films, but both yoram and menahem just loved movies. they loved films and loved the filmmakers and really treated them well. it seemed more, when I was there, like maybe what the old system was like. i miss it." - tobe hooper

não há forma de questionar a importância da cannon, que durante os anos oitenta traumatizou sem dúvida muitas mentes impressionáveis entre as quais a minha (se bem que nesta matéria as minhas lesões cerebrais não passem de arranhões quando comparadas com as do pedro). no entanto há que dar crédito ao primos golan e globus por um pouco mais do que a lista acima. além de charles bronson, chuck norris e michael dudikoff, durante os anos oitenta a cannon foi também casa para andrei konchalovsky (produzindo maria's lovers, runaway train, duet for one e shy people), tobe hooper (lifeforce, invaders from mars e the texas chainsaw massacre 2), barbet schroeder (barfly), norman mailer (tough guys don't dance), john frankenheimer (52 pick-up), neil jordan (company of wolves), liliana cavani (the berlin affair), robert altman (fool for love) e, pasmem-se as almas, até produziu a adaptação de king lear de jean-luc godard. apesar disso nunca será possível descolar os braddocks e os ninjas da imagem da cannon, e não sou eu que me vou queixar. tenho o revenge of the ninja na mesma prateleira da caixa do dreyer.

contamination, de luigi cozzi (1980)
the last american virgin, de boaz davidson (1982)
revenge of the ninja, de sam firstenberg (1983)
the ambassador, de j. lee thompson (1984)
lifeforce, de tobe hooper (1985)
runaway train, de andrei konchalovsky (1985)
death wish 3, de michael winner (1985)
thunder alley, de j. s. cardone (1985)
the naked cage, de lutz schaarwächter (1986)
barfly, de barbet schroeder (1987)

menahem golan está de volta com a new cannon, deus o abençoe.

jorge

nota: excluí da minha lista os títulos de chuck norris ao qual já rendi a minha homenagem aqui.
nota 2: de acordo com o livro hollywood a-go-go: the true story of the cannon film empire, de andrew yule, cobra, que o pedro incluiu na lista dele, não é técnicamente um filme da cannon. golan e globus tinham stallone sob contracto exclusivo para fazer over the top e a warner ofereceu-lhes crédito de produção e uma participação nos lucros em troca da cedência do actor para o filme. da mesma forma contamination, na minha lista, foi adquirido para distribuição depois de produzido. mas ambos são cannon no espirito.

publicado por jorge às 18:17
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