Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2004

emissão de emergência: os mortos caminham

...

foi estabelecido que pessoas recentemente falecidas têm estado a regressar à vida e a cometer assassinatos. uma investigação abrangendo casas funerárias, morgues e hospitais concluiu que os mortos por enterrar regressaram à vida e procuram vitimas humanas. é difícil para nós reportar-vos isto, mas parece tratar-se de um facto. o zombie apresenta os seus dez familiares favoritos.

dawn of the dead, de george a. romero (1978)
dellamorte dellamore, de michele soavi (1994)
non si deve profanare il sonno dei morti, de jorge grau (1974)
night of the living dead, de george a. romero (1968)
l'aldilà, de lucio fulci (1981)
evil dead II: dead by dawn, de sam raimi (1987)
shock waves, de ken wiederhorn (1977)
children shouldn't play with dead things, de bob clark (1972)
la noche del terror ciego, de amando de ossorio (1971)
the return of the living dead, de dan o'bannon (1985)

jorge

publicado por jorge às 21:09
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2004

segunda opinião: big fish

visto que o citei na minha crítica, convidei o meu amigo marco a partilhar os seus pensamentos sobre o filme. assim o zombie inaugura a segunda opinião, e se o marco conseguir escrever mais do que um texto de três em três meses contem com mais críticas dele por aqui.

tim burton não é macaco!

okay, também não é um génio, mas tem os seus momentos; a título de exemplo: ed wood ou a nightmare before christmas... e, bem vistas as coisas, os dois primeiros filmes da saga batman, quando comparados com as atrocidades que se seguiram, bem podem ser considerados obras-primas. mas não vamos entrar no campo das atrocidades, ou lá teríamos nós de desancar no burton pelo amaldiçoado planet of the apes. importa aqui reter que tim burton é senhor de um imaginário muito próprio e tem as influências certas. O problema é quando perde o norte e mete os pés pelas mãos. felizmente, não acontece muitas vezes...

vamos falar de big fish que, na sua essência, me fez lembrar uma frase da personagem de bill pullman em lost highway, de david lynch, quando este responde ao detective que não gosta de camaras de vídeo porque gosta de recordar as coisas à sua maneira, não necessariamente como elas aconteceram. é desta perspectiva que edward vê a vida no mais recente filme de tim burton. a diferença é que para edward, esta parece ser a única perspectiva e, portanto, aos seus olhos, a mais pura realidade. claro que aos olhos de estranhos, edward não passa de um velho contador de histórias preso na sua própria mente. aos olhos do seu filho will, não passa de uma incógnita, alguém - um estranho - que nunca partilhou com ele um único facto não adulterado pela sua prodigiosa imaginação. Para sandra, mulher de edward e mãe de will, o passado do marido é uma experiência enriquecedora e digna de orgulho, mas para will, que ouviu as histórias do pai até à exaustão durante a sua infância/adolescência, é um passado em que ele não se consegue encaixar e que o leva ao afastamento. Quando edward entra na recta final da sua vida, sandra reúne novamente a família e will regressa com o desejo que seja este o momento de reconciliação com a realidade e com o pai. no entanto, o velho edward é um osso duro de roer...

tim burton realiza big fish com a mesma sensibilidade de edward scissorhands e com o virtuosismo visual que lhe é típico. falta-lhe um pouco da escuridão a que burton nos habituou e peca pela extrema doçura, mas isso agora é uma questão de gosto pessoal. a mim não me incomoda, como também não me incomoda uma certa fragilidade na progressão da narrativa porque no final percebi a mensagem. aliás, percebi a mensagem muito antes do final, porque este é um daqueles filmes, uma daquelas histórias/fábulas, que só tem um caminho a seguir... para quê então perder tempo a vê-lo? talvez pelo prazer de redescobrir... como é dito no próprio filme, é como aquela história que se ouviu vezes sem conta e que já não desperta qualquer reacção até que um dia, numa determinada altura, numa determinada situação, se volta a ouvir e é como se a ouvíssemos pela primeira vez...

nota final: ewan mcgregor interpreta o papel de edward enquanto jovem e não há nada a apontar ao seu desempenho, mas é óbvio que aquela personagem tem as medidas de johnny depp... é um facto, não é produto da minha imaginação.

6/10
marco

publicado por jorge às 21:01
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crítica: big fish

peixinho

um filme de tim burton
com ewan mcgregor, albert finney e billy crudup
estados unidos, 2003 imdb

o meu amigo marco diz que o big fish tem a magia do cinema, e eu não podia concordar mais com ele. só a magia do cinema podia fazer passar por grande peixe aquilo que, basicamente, não é mais que uma sardinha.

as histórias extraordinárias que edward (finney) sempre contou ao filho sobre as suas aventuras passadas são demasiado exageradas e surreais para serem levadas a sério. agora, no leito de morte do pai, william (crudup) quer reconciliar-se com o homem por trás do mito. o que ele quer é a verdade sobre aquele homem que nunca conheceu realmente. o que recebe é uma última repetição das mesmas fábulas de sempre, com um jovem edward (mcgregor) a cruzar-se com gigantes, bruxas, lobisomens e o tal peixe.

tim burton realizou ed wood que é um dos meus filmes favoritos. o resto do seu trabalho é irregular mas tem sido sempre interessante. o seu último filme, planet of the apes, foi um falhanço a todos os níveis e big fish é, supostamente, o seu regresso triunfal à forma de outros tempos. ou então não é. apesar de todas as suas imagens bizarras o filme assemelha-se mais à ideia de alguém de como deve ser um filme de tim burton do que ao artigo genuíno. a ideia de alguém sem a mínima noção que não bastam uma árvores torcidas e uns personagens grotescos para fazer a coisa funcionar.

o potencial estava lá para isto ser algo de glorioso. o livro de daniel wallace tem uma história que parece feita para burton e o elenco é excelente, com ewan mcgregor a calçar na perfeição os sapatos de johnny depp. mas no geral big fish é uma esmagadora decepção. é um filme chato, sem ritmo e não tem sensibilidade para retratar a vertente humana da história sem recorrer à mais descarada manipulação emocional. o drama familiar não funciona, nunca, e o filme parece desconfortável e artificial nesses segmentos, como se tivesse pressa de passar rapidamente para o mundo da fantasia, onde está em casa. o problema é que quando lá chega também não faz nada de interessante com ele.

tim burton costumava ser um realizador com um universo pessoal distinto, um tipo particular de humanismo, que mesmo das vezes em que não funcionava completamente nunca era desprovido de interesse. parece que a grande máquina de hollywood também conseguiu transformar isso numa fórmula. com todo o sabor mas com zero calorias. desapareceu a ameaça, a corrente negra, que sempre permeou o trabalho do realizador. perdeu-se a imaginação visual prodigiosa e a imprevisibilidade. perdeu-se a alma. a magia, de que o meu amigo marco me falou, parece mais um ilusionismo barato a gritar, para quem o queira ouvir, "olhem! é magia!"

4/10
(porque, apesar de tudo, há algumas ideias boas aqui, pormenores que nos asseguram que o velho burton talvez ainda tenha umas cartas na manga)
jorge

ps: talvez queiram uma segunda opinião?

publicado por jorge às 20:58
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2004

crítica: prozac nation

vai um prozac?

um filme de erik skjoldbjærg
com christina ricci, jessica lange e jason biggs
estados unidos, 2001 imdb

as pessoas com casos clínicos de depressão são intragáveis. queixam-se de tudo. estão cheias de uma autopiedade que mete nojo. eu sei. também já estive assim. depois tomei os medicamentos todos que o médico receitou e fiquei melhor.

prozac nation é a adaptação do livro autobiográfico de elizabeth wurtel. lizzie foi o produto de uma família disfuncional. mãe com problemas. pai com problemas. menina com problemas. foi para harvard e ganhou um prémio da rolling stone para jornalismo universitário. deu nas drogas. perdeu a virgindade. ficou deprimida. depois tomou os medicamentos todos que a médica mandou e ficou melhor.

quinze minutos. foi este o tempo que passou até eu ter vontade de esganar a elizabeth wurtzel. a verdadeira e a do filme. o personagem interpretado por christina ricci (que também co-produziu) é tão asqueroso que ao fim de um mísero quarto de hora já não o podia ver à frente. lizzie é irritante, insuportavelmente autocentrada, e caprichosa. e isto é antes da depressão. a senhora wurtzel deve ter sido, durante o período retratado no filme, uma das pessoas mais desagradáveis à face da terra. surpreende-me que ninguém próximo dela a tenha mandado abater.

o filme passa o tempo todo com lizzie, enquanto ela se queixa, humilha toda a gente à sua volta, mente compulsivamente, trai a melhor amiga (michelle williams), arruína as finanças da mãe (lange), aliena o namorado (biggs, que deve ter sentido saudades da tarte), e se queixa mais um bocado para o caso de ainda não termos percebido que ela é uma desgraçada e magoa todos os que ama e os pais separaram-se quando ela era criança e ninguém a percebe e... já chega caraças! eu não quero que ela se cure. quero que ela corte os pulsos e acabe de vez com o seu sofrimento. e com o meu.

todos os envolvidos já viram melhores dias. o realizador erik skjoldbjærg, que foi responsável pela excelente versão original de insomnia, não consegue fazer nada do material. tudo parece artificial e forçado, recheado de truques estafados para ilustrar os estados psicológicos da protagonista. nenhum dos actores está propriamente mal (se bem que a jessica lange esteja a representar um bocadinho mais do que era preciso) mas também nenhum me parece particularmente bem. aplaude-se a coragem de ricci em representar alguém tão insuportável. e tão pouco digno de ser representado.

se o objectivo deste filme é publicitar os antidepressivos o seu trabalho está feito. depois de o ver fiquei a precisar de os voltar a tomar.

1/10
(porque a minha religião me impede de dar menos a um filme que tem o lou reed ao vivo e a christina ricci nua)
jorge

publicado por jorge às 10:45
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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2004

crítica: the red house

mi casa su casa

um filme de delmer daves
com edward g. robinson , lon mccallister e allene roberts
estados unidos, 1947 imdb

a sorte do zombie no videoclube vai de mal a pior (esperem só até vos falar de prozac nation). para limpar a cabeça revi esta pérola esquecida de 1947 que voltou a não falhar em fascinar-me. uma espécie de noir rural servido por fortíssimas interpretações e um sentimento do mal escondido atrás da fachada de felicidade all-american que antecipa um dos temas favoritos de david lynch quase 40 anos.

os irmãos pete (robinson) e ellen morgan (judith anderson) vivem felizes e semi-isolados do mundo com meg (roberts) que criaram como se fosse sua filha desde a partida dos pais muitos anos antes. neste pequeno mundo entra nath (mccallister), colega de escola de meg, que vem para ajudar pete na quinta, agora que os anos, e a perna de pau resultante de um acidente antigo, vão começando a pesar. a entrada do estranho no núcleo familiar vai revelar segredos sombrios escondidos atrás da fachada de família perfeita e que parecem todos partir e terminar numa estranha casa vermelha perdida no meio do bosque.

delmer daves teve um ano em cheio em 1947 com a estreia de dois excelentes filmes. dark passage é sobejamente conhecido, facto a que não será alheia a presença do casal bogart e bacall. o outro, este the red house, ficou quase esquecido. um melodrama cruzado por correntes negras como breu e sem medo de tocar em temas pouco habituais para a época, é um filme sobre segredos e obsessões, o preço que eles cobram e a forma como, em última instância, nos podem destruir. na primeira cena um autocarro escolar atravessa uma estrada solarenga e fazem-se planos para encontros de namorados, mas cedo descobrimos o negrume por trás desta fachada e a sua irresistível atracção para os ocupantes desse mesmo autocarro. da mesma forma que meg e nath se sentem ao mesmo tempo atraídos e assustados pelo segredo da casa, tibby (julie london), namorada do atinado nath, flirta com o caçador teller (rory calhoun), que desistiu da escola e vive sozinho no meio do bosque sempre de espingarda em punho. as origens do lar idílico dos morgans escondem algo que, no final, e de diferentes formas, os acabará por condenar a todos. o suspense e o crescente sentimento de fatalismo são construídos de forma soberba pelo realizador, com a ajuda de uma prodigiosa banda sonora de miklós rózsa. cenas como a primeira caminhada de nath pelo bosque, em que, tal como o personagem, não sabemos se estamos a ouvir gritos ou apenas o vento, ficam gravadas na memória. a sua eficácia em inquietar o espectador não foi minimamente afectada pelo passar das décadas.

edward g. robinson carrega eficazmente o filme numa interpretação quase operática. o elenco é excelente no todo, com particular destaque para judith anderson e rory calhoun, mas o pete morgan de robinson consegue mostrar-nos nos seus olhos os fantasmas que só ele consegue ver. é mais um grande papel numa carreira povoada de grandes papéis.

the red house é uma jóia obscura de inquietação cinematográfica injustamente esquecida pelo tempo. como a casa vermelha perdida no meio do bosque selvagem, não se vê da estrada, não há placas a indicar a sua presença. mas quando lá chegamos dá-se uma revelação. é um daqueles filmes que quando descobrimos nos apetece mostrar a toda a gente e dizer "olhem só o que eu achei." 39 anos mais tarde outro casal de jovens confrontava a podridão escondida atrás da fachada soalheira da small town americana. o filme chamava-se blue velvet. mas desse devem ter ouvido falar.

8/10
jorge

publicado por jorge às 04:25
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Sábado, 14 de Fevereiro de 2004

tributo: dracula (1931)

bela lugosi's dead

enquanto milhares de casalinhos babados comemoram o dia de s. valentim, o zombie celebra outro tipo de efeméride. passam hoje 73 anos desde que dracula foi solto pelo mundo. a 14 de fevereiro de 1931 a universal estreava a sua adaptação do romance de bram stoker. no papel principal estava um emigrante húngaro chamado bela lugosi. as suas primeiras palavras no écran eram "i am dracula... i bid you welcome" e, como se costuma dizer nestas coisas, nasceu uma lenda. lugosi nem sequer era para interpretar o papel, apesar de ter sido o vampiro no palco com grande aclamação do público, a universal queria uma cara mais conhecida como lon chaney ou mesmo paul muni. após a morte de chaney a campanha de lugosi pelo papel (durante a qual pediu inclusivamente ajuda à viúva de stoker) obteve finalmente resultados e a 29 de setembro de 1930 as câmaras começavam a rodar com ele no protagonista.

são muitas as coisas que tornam este primeiro dracula mágico e lhe garantem um lugar de destaque na história da cultura popular. foi a primeira adaptação autorizada do livro, depois de murnau ter feito o seu nosferatu sem assegurar os direitos. a cinematografia de karl freund (que colaborara anteriormente com murnau) é prodigiosa criando uma inquietante atmosfera gótica que ainda funciona hoje. o realizador tod browning é responsável pela sua quota parte de filmes históricos (e por um dos meus favoritos, freaks). mas o que torna este filme grande é bela lugosi. visto a esta distância de décadas, com dezenas de vampiros cinematográficos de permeio, é ele que ainda é dracula. outros, como christopher lee que interpretou o papel pelo menos sete vezes, ajudaram ajudaram a solidificar o mito. em muitos casos aplaudimos o seu trabalho, aquilo que trouxeram de novo ao personagem. mas quando fechamos os olhos e pensamos em dracula é bela que vemos. e ouvimos a voz, de sotaque carregado, "i never drink... wine."

o filme foi um sucesso à data da estreia tendo sido, em grande parte, responsável pelo lançamento do ciclo de terror da universal que incluiu clássicos como frankenstein e bride of frankenstein. lugosi, pelo contrário, que aceitara fazer o filme por uma miséria para garantir o papel, estava falido um ano depois. sobreviveu participando em produções medíocres dos estúdios da poverty row ou interpretando secundários em veículos do seu rival da grande tela boris karloff. vestiu apenas mais uma vez a capa do vampiro no grande écran, em 48, na comédia abbott & costello meet frankenstein. para terem uma ideia de onde a sua carreira estava nesse ponto, não foi o primeiro actor considerado para o papel porque os produtores pensavam que já tinha morrido. a 16 de agosto de 56, falido e viciado em drogas, o conde recolheu ao caixão pela última vez. foi a enterrar, de acordo com os seus desejos, com uma das capas que vestira no filme de 31.

dracula faz hoje 73 anos e, a preceito com a mitologia vampírica, está tão fresco e jovem como quando estreou. mas o que são umas miseras décadas para uma criatura capaz de durar uma eternidade? listen to them. children of the night. what music they make.

jorge

publicado por jorge às 17:07
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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2004

crítica: the final curtain

cortina rasgada

um filme de patrick harkins
com peter o'toole, adrian lester e aidan gillen
reino unido, 2002 imdb

o zombie anda com azar. parece que cada novo filme trazido do videoclube é uma desgraça maior que a anterior. the final curtain foi escrito por john hodge, o guionista de shallow grave e trainspotting, e tem o grande peter o'toole no papel principal. com estes dois a bordo a coisa não pode correr mal. pode?

jj curtis (o'toole) é um apresentador lendário na televisão inglesa. durante anos o seu concurso familiar the big prize foi campeão de audiências. é o júlio isidro de quando o júlio isidro ainda era o júlio isidro. o público adora-o e está a negociar um contrato para exportar o formato para a américa. mas os ratings estão a baixar, muito à conta da concorrência do jovem dave turner (gillen), e ainda por cima jj descobriu que tem um cancro.

uma confusão do caraças é o que isto é. o filme nunca decide o que quer ser e oscila aleatoriamente entre sátira, comédia negra, thriller, falso documentário, drama e tragédia sem qualquer tipo de lógica. o fio condutor da história, a investigação de um segredo sombrio no passado de jj e a guerra aberta entre os dois apresentadores pelo mercado americano, parece desenrascado, metido à pressão para unir as cenas que martelam a mensagem do filme sobre o actual estado da televisão. e se pelo meio notamos uma mão cheia de ideias boas elas só servem para, em última instância, sublinhar a miséria da execução pelo estreante patrick harkins.

a única nota positiva vai para os actores. é um prazer constatar que peter o'toole, aos 70 anos, continua em excelente forma. é pena que o filme não seja digno da sua brilhante interpretação. adrian lester carrega com brio o único personagem simpático do filme e aidan gillen é competente no retrato de um apresentador que é "uma mistura de sid vicious e pee-wee herman". mas os esforços dos protagonistas não conseguem salvar esta coisa, apenas torná-la um pouco mais tolerável.

the final curtain é uma desgraça. façam um favor a vocês próprios e mantenham-se afastados. se quiserem mesmo saber a que profundezas a televisão desceu nestes dias vejam o telejornal da tvi. é provável que se divirtam mais.

3/10
(estas classificações começam a parecer um disco riscado, mas pronto, o peter o'toole merece os três pontos)

ps: no filme o concurso apresentado por dave turner envolve homens que, a troca de prémios monetários, aplicam choques eléctricos às namoradas. quanto maior a voltagem maior o prémio. espero que o josé eduardo moniz veja este filme e ponha rapidamente algo semelhante no ar. o potencial é brutal. melhor ainda, como têm feito com os reality shows, podiam fazer uma versão vip. eu via.
jorge

publicado por jorge às 21:30
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crítica: the hitcher II - i've been waiting

não dêm boleia a este gajo

um filme de louis morneau
com kari wuhrer, jake busey e c. thomas howell
estados unidos, 2003 imdb

contas para pagar. a babysitter dos putos. a mensalidade do ginásio. a limpeza da piscina. se pensam que the hicher era o último filme a precisar de uma continuação releiam as frases anteriores. toda a gente precisa de comer e não é como se as carreiras do produtor charles r. meeker e do actor c. thomas howell estivessem propriamente em trajectória ascendente.

passaram quinze anos desde que jim halsey (howell) deu boleia a john ryder, despoletando os eventos do primeiro filme. jim tentou lidar com o trauma tornando-se policia mas o seu dedo é um pouco rápido demais no gatilho quando lida com psicopatas. quando mata um raptor de crianças a sangue frio os seus superiores decidem mandá-lo dar uma volta. e é o que ele faz, na companhia da namorada maggie (wuhrer), pela mesma estrada onde se desenrolaram os momentos traumáticos do seu passado. e depois, durante a viagem, maggie tem a brilhante ideia de dar boleia a um estranho.

o principal problema é que já vimos este filme. em bom. não fosse a presença de howell e um ou dois rápidos flashbacks ao original e isto era mais um remake do que uma sequela. com apenas alguns pequenos desvios (e um grande a meio que não vos vou estragar) estamos a ver exactamente a mesma coisa outra vez. menos as surpresas, a inquietação e o rutger hauer. acho que apesar da debilidade do guião a presença do original assassino da auto-estrada podia ter elevado isto uns furos. o john ryder era um cabrão assustador. o jack deste filme é um psycho-by-the-numbers, interpretado por busey de uma forma demasiado óbvia e estereotipada para transmitir qualquer tipo de ameaça. há pessoas onde eu trabalho que metem mais medo do que ele. o facto de o guião não explicar se há ou não alguma ligação entre os dois assassinos também não ajuda. é suposto acreditarmos que, por uma estranha coincidência, quinze anos depois o mesmo tipo dá boleia a um psicopata diferente que também anda à boleia. certo.

o realizador louis morneau, responsável pelo atroz bats, faz um trabalho competente, conseguindo manter um bom ritmo e dar um ar polido ao que é basicamente uma produção baratucha realizada para o mercado de vídeo. a cena de abertura está particularmente bem conseguida e chegou a dar-me algumas esperanças (que duraram tipo dez segundos). c. thomas howell veste bem a pele de um jim halsey envelhecido e paranóico, mas as figuras centrais do filme são busey e kari wuhrer que, apesar de ficar bem de camisola de cavas e carabina em punho, não podia fazer mais com o seu papel mesmo que quisesse.

nunca esperei que esta continuação fizesse justiça ao original, mas mesmo assim fiquei desapontado. é uma coisa anónima que se começa a esquecer ainda antes de acabar. aliás, tenho a certeza que havia mais qualquer coisa que vos queria dizer mas passou-me completamente.

3/10
(porque a kari wuhrer fica mesmo bem com aquela camisola de cavas)
jorge

publicado por jorge às 20:21
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2004

noir quer dizer preto

the stuff that dreams are made of

a lista negra. dez noirs clássicos que toda a gente devia ver.

detour, de edgar g. ulmer (1945)
double indemnity, de billy wilder (1944)
a touch of evil, de orson welles (1958)
the maltese falcon, de john huston (1941)
the big sleep, de howard hawks (1946)
out of the past, de jacques tourneur (1947)
d.o.a., de rudolphe maté (1950)
the big heat, de fritz lang (1953)
raw deal, de anthony mann (1948)
the big combo, de joseph h. lewis (1955)

jorge

publicado por jorge às 16:43
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crítica: octopus 2 - river of fear

onde está o michele placido quando precisamos dele?

um filme de yossi wein
com michael reilly burke, meredith morton e fredric lehne
estados unidos, 2001 imdb

octopus 2: river of fear é sobre um polvo gigante que come pessoas no porto de nova iorque. eu sabia o que estava a trazer para casa do videoclube. quer dizer, mesmo que não tivesse visto o primeiro octopus era bastante óbvio só de olhar para a capa que antes de a noite acabar mais alguns dos meus neurónios estariam irremediavelmente perdidos e que o meu cérebro ia doer. mas caraças, um polvo gigante que come pessoas no porto de nova iorque? como é que eu não ia alugar isto?

para quem não chegue lá pelo título ou pela capa: este filme é mau. tipo muito. nas palavra imortais de thora birch no ghost world é tão mau que deu a volta por bom e voltou a ser mau outra vez. ou qualquer coisa do género. consigo-me lembrar de coisas piores mas a maior parte delas envolve vidro moído em contacto com partes sensíveis da minha anatomia. e o primeiro octopus. esse era pior.

se ainda estão a ler gostarão certamente de saber que este filme saiu da pena de boaz davidson, dono de uma extensa carreira como argumentista e realizador cujo ponto alto é, na minha opinião, o inimitável american cyborg: steel warrior. e sim, leram american cyborg: steel warrior e ponto alto na mesma frase. boaz davidson é também responsável pelos guiões de crocodile 2 e spiders 2, o que significa que há aqui uma certa coerência. de yossi wein, o realizador, nunca vi nada mas sei que conta no currículo com obras do calibre de operation delta force 5: random fire e cyborg cop III (o que é que se passa com esta gente e os ciborgues?), não sei porquê estes títulos enchem-me de alegria.

mas devem querer saber sobre o filme certo? então é assim: começamos à noite com um casal à beira da água e como já sabemos que isto é um filme sobre um polvo gigante que come pessoas o que acontece a seguir é bastante óbvio. rapidamente aparecem uns tentáculos muito ameaçadores que os arrastam para as profundezas. é mais ou menos isto. tirando a parte de os tentáculos serem ameaçadores. e de os arrastarem para as profundezas. são mais eles que arrastam os tentáculos. o incidente é presenciado por um vagabundo alcoólico. estão a ver o tipo de que estou a falar? do tipo em quem ninguém vai acreditar quando disser que viu um polvo gigante que come pessoas a arrastar um casal para as profundezas.

nick (burke) e walter (lehne) fazem parte da patrulha marítima de nova iorque, a força policial que patrulha as águas do porto da cidade, e estão prontos a abordar um barco suspeito de traficar droga. uma instituição menos importante interceptaria o barco com as duas lanchas onde a equipa de nick e walter o está a vigiar. mas na patrulha marítima as coisas são feitas de maneira diferente. os nosso rapazes vestem fatos de mergulho e aproximam-se por baixo de água para aparecer no barco ao mesmo tempo em que chega a lancha dos colegas. o criminoso afinal não é criminoso nenhum, é um juiz que está a pescar e quando damos por isso estamos na manhã seguinte com chefe a desancar os nossos heróis. depois manda-os verificar uns problemas nuns cabos eléctricos subaquáticos. e se vocês estão a pensar porque raio é que são enviados agentes da polícia para verificar problemas com cabos eléctricos, bom, deve ser porque vão encontrar no local o corpo de uma das vitimas da primeira cena. o corpo de uma das pessoas que foram atacadas pelo polvo gigante que come pessoas. estão-me a acompanhar?

é também na cena do crime que conhecemos rachel (morton), que trabalha no gabinete do mayor, e foi enviada para saber como está a correr a investigação. porque estão a chegar as comemorações do 4 de julho e o porto de nova iorque vai atrair milhares de pessoas para "o maior fogo de artificio de sempre". o mayor não quer que nada prejudique os festejos, percebem? o que temos aqui é o tipo de mayor que não vai deixar um reles polvo gigante que come pessoas estragar o seu fogo de artificio. quando se estão a afastar do cais nick vê uma garrafa caída no chão e sabe automaticamente quem foi o vagabundo que presenciou a cena. o exacto vagabundo. a sério. uma olhadela à garrafa e já está. se isto não vos der uma pista sobre o tipo de talento presente na patrulha marítima de nova iorque, há outra cena mais à frente em que vemos um colega de nick a olhar para um talão de cartão de crédito de um restaurante e a saber automaticamente em que hotel, e em que quarto, a pessoa que o utilizou está alojada. o número do quarto. juro.

mas fiquem comigo, não se preocupem que não vou contar o filme todo, mas há mais uns pontos que queria passar. os nossos agentes encontram o sem-abrigo nos túneis subterrâneos onde normalmente vivem os sem-abrigo. vocês sabiam isso, certo? sobre os sem-abrigo e os túneis? pois. o homem conta-lhes do polvo e claro que eles não acreditam. mas o nick, que depois do truque da garrafa já percebemos que deve ser o cérebro do par, acaba por pensar que talvez não seja uma história tão maluca como isso. além do mais o colega já disse que se ia reformar na semana seguinte. e se há uma coisa certa neste mundo é que num filme com um polvo gigante que come pessoas o colega que se vai reformar na semana seguinte não vai chegar à ficha técnica. por favor não pensem que ao estar a revelar isto vos estou a estragar o filme. não há maneira de o estragar mais do que já está.

bom, eventualmente nick fica convencido que há mesmo um polvo gigante que come pessoas à solta. mas obviamente ninguém acredita nele. nem depois do colega ter sido jantado pelo polvo. a única pessoa que acaba por acreditar nele é rachel. que logicamente se apaixona por ele. mas depois também ninguém acredita nela. e há um autocarro cheio de crianças que vêm para as comemorações e inclui uma menina de cadeira de rodas que diz que aquele está a ser o melhor dia da vida dela. estão a ver o tipo de autocarro de crianças de que estou a falar? o tipo que vai estar ameaçado por um polvo gigante que come pessoas dentro de muito pouco tempo é o que é.

as crianças visitam nova iorque em versão imagem de arquivo. cada vez que olham pela janela temos mais um panorama da cidade obviamente retirado de outro lado. aliás, acho que o filme não foi feito num raio de mil quilómetros de nova iorque, se virem a ficha técnica encontram mais nomes de leste do que na lista de empregadas da passerelle. quando finalmente a miudagem sai do autocarro é para ver uma árvore. uma árvore normal, no passeio. não o empire state building, não times square. uma árvore. acho que já perceberam o tipo de obra que aqui temos. dói-me a cabeça.

mas deixem-me dar-vos mais alguns pontos altos. desculpem, mais alguns pontos. há um combate entre o polvo e um barco e o polvo ganha mas faz batota porque ataca o barco com cenas do primeiro filme. assim também eu. há um combate entre o polvo e a estátua da liberdade e o polvo ganha, mas não conta porque era só um sonho. acho que este polvo é uma fraude. há um combate entre o polvo e uma grua e o polvo volta a ganhar porque a ataca com um tentáculo cgi que deve ter sido feito num spectrum. por falar em cgi o polvo é mau. muito mau. alterna entre o já mencionado cgi mau, tentáculos de borracha maus (pensem bride of the monster mau, ou se não souberem o que isso é pensem na cena entre o martin landau e o tentáculo no ed wood) e cenas recicladas do primeiro filme (que além de serem más não encaixam minimamente). pelo meio há também imagens de arquivo de um polvo verdadeiro, daqueles de tamanho normal, que são boas mas que são, pronto, imagens de arquivo de um polvo verdadeiro. não há muita arte envolvida em utilizar imagens de arquivo de um polvo verdadeiro.

há uma parte, perto do fim, em que sem razão aparente a coisa se transforma no daylight, completo com autocarro e túnel, e de repente parece que estamos a ver outro filme. acho que o realizador percebeu que aquela miséria de polvo não era ameaça suficiente e decidiu espevitar um bocado as coisas. e pergunto-me: em que estado mental precisa um tipo de estar para achar que é boa ideia copiar o daylight? tão mau ou pior do que eu estava nessa altura do filme. aliás, de repente, o daylight já não me parecia assim tão mau como isso. temos portanto dez minutos de filme catástrofe mau para juntar ao filme de monstros mau. o polvo regressa para um último ataque apesar de o termos visto explodir em pedaços alguns minutos antes. no fim nick salva toda a gente incluindo a menina da cadeira de rodas e uma velhota (que não é mesmo uma velhota, é uma mulher de meia idade com uma peruca branca) e o seu cãozinho e a história tem um final feliz: termina na altura em que estou a preparar-me para arrancar os olhos com um garfo.

ainda está aí alguém? ok, hora da avaliação final: melhor filme de sempre sobre um polvo gigante que come pessoas no porto de nova iorque. podem escrever isso na capa.

2/10
(porque é mais divertido do que enfiar a pila numa ventoínha)
jorge

publicado por jorge às 03:33
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