Terça-feira, 11 de Maio de 2004

o zombie já viu: the day after tomorrow, taking lives e hellboy

o marco é um tipo bem relacionado e já deu uma olhadela a alguns dos blockbusters de verão que estão a caminho e que sem dúvida muitos de vocês aguardam quase tão ansiosamente como eu espero o lançamento de janine loves jenna.

depois de amanhã
the day after tomorrow
um filme de roland emmerich
com dennis quaid, jake gyllenhaal, sela ward e ian holm
estados unidos, 2004

the day after tomorrow não é nem mais nem menos do que aquilo que eu estava à espera. dito de outra forma: a determinada altura do filme, uma personagem necessita de uma injecção de penicilina… o realizador de godzilla e independence day não está com meias medidas e encalha um gigantesco petroleiro nas ruas de nova iorque; petroleiro esse que tem uma farmácia a bordo onde se pode encontrar o minúsculo frasquinho de penicilina… megalómano?... mas há dúvidas? também desconfiei, pelo trailer e pelo elenco, que o dia depois de amanhã talvez fosse melhor que os seus predecessores. e é, mas não me entendam mal; refiro-me simplesmente a uma maior empatia pessoal pelos actores e ao fascínio visual por uma nova iorque pós-apocalíptica.
(4/10)
(estreia a 27 de maio)

isto, meus amigos, é uma boca
taking lives
um filme de d. j. caruso
com angelina jolie, ethan hawke, kiefer sutherland e gena rowlands
estados unidos / canadá, 2004

um serial killer anda a trocar as voltas à polícia da cidade canadiana de montreal. os investigadores andam desnorteados e uma agente especial do fbi é chamada em seu auxílio. há um mais orgulhoso que acha que sozinhos se desenrascavam muito bem. há um falso criminoso, alguns pequenos twists e um grande twist final. ou seja, tem todos os clichés do género, sendo que o pior de todos é a já tradicional colagem ao se7en. na verdade, taking lives até nem é mau de todo, dá conta do recado e ajuda a passar o tempo. O problema é que em nada se destaca dos seus congéneres e já não há paciência para ver o mesmo filme uma vez atrás da outra. seja como for, tem a angelina jolie e quando esta miúda é chamada ao barulho, as coisas só podem ficar melhor; à votação final, acrescentem um ponto adicional por ela.
(4+1/10)
(estreia a 3 de junho)

hellboy
hellboy
um filme de guillermo del toro
com ron perlman, john hurt, selma blair e rupert evans
estados unidos, 2004

nunca li os comics, portanto, vi o filme sem expectativas. além do mais, partilho a ideia de que a obrigação de qualquer realizador é fazer um bom filme; ser ou não ser fiel ao material original é uma questão secundária. dito isto e visto o filme, confesso que saí da sala bem contentinho. tal sentimento não significa necessariamente que hellboy seja um grande filme, mas o gozo que aparenta ter dado a fazer é transmitido a quem o vê. realizador e actores parecem conscientes que o argumento não dá para muito e que as sequências de acção e os efeitos especiais têm prioridade, mas mesmo conformados com este pressuposto, não baixam a guarda, recrutam o humor como aliado e a coisa resulta. ron perlman consegue dar vida a um super-herói vermelho com cauda, dois cornos e uma mão do tamanho de um micro-ondas… acho que merece uma ovação!
(5/10)
(estreia a 10 de junho)
marco

publicado por jorge às 01:51
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crítica: dawn of the dead (2004)

somos todos feios de manhã

um filme de zack snyder
com sarah polley, ving rhames e jake weber
estados unidos, 2004 imdb

antes de mais nada gostava de confessar o meu fanatismo por zombies. sejam eles estúpidos, lentos, azuis, recordistas dos 100 metros, nazis, aquáticos, pernetas, manetas, cães, gatos ou em último caso o michael jackson a fazer o moonwalk. ponham-me á frente zombies que eu prefiro isso do que brincar com a minha pila. ainda dentro da área genital, erecção é a palavra que me vem à cabeça quando penso que estou a escrever esta critica do recém-estreado remake do clássico dawn of the dead de romero no blog do zombie. muitas e boas coisas há a dizer sobre a versão original mas admito que não sou digno para o fazer... é pá não sou! reconheço-o! e por isso mesmo vou falar da nova versão.

em relação a esta modernice de zack snyder só há uma coisa a dizer: apesar de ser muito inferior ao de 78, como peça de puro entretenimento funciona ao mais alto nível.

a premissa sobre a qual o filme assenta é a mesma do predecessor: mortos por enterrar regressam à vida procurando vitimas humanas, no entanto no meio do caos em que o mundo se encontra, um grupo de sobreviventes consegue barricar-se dentro de um centro comercial abandonado. durante o filme todo, snyder não se preocupa com dissertações filosóficas sobre a condição humana ou de pôr os personagens a pensar muito sobre os desígnios divinos por detrás dos zombies. não, neste filme não há ironias ou cansaços... há sim muita hemoglobina e estilhaços! o realizador optou por pedir emprestados a danny boyle os zombies rápidos e imprevisíveis de 28 days later e dar às personagens do seu dawn of the dead apenas tempo para reagir às constantes investidas dos predadores em decomposição. se juntarmos a isto violência gratuita e muito gore (bem hajam) temos um filme com momentos bem românticos. devo confessar que mal me tinha sentado na cadeira de cinema, já a tela estava repleta de furiosos não-vivos a causarem inúmeras baixas numa pacata localidade americana e uma amiga minha ao meu lado a soltar gritos e gemidos que mexiam com a parte mais doentia da minha libido. que alegria!

mas em suma e indo ao que interessa, apesar das personagens do filme serem algo estereotipadas (inclusive algumas mudam flagrantemente de personalidade para servirem os propósitos do argumento, como é o caso de cj o segurança do centro comercial) e o argumento muito mais simplista e pragmático em comparação com as escrituras sagradas de romero, o saldo deste dawn of the dead é francamente positivo, sendo um exercício que se apresenta tecnicamente bem limado e de uma ferocidade visual que lhe confere um ritmo electrizante. e mesmo que fosse uma grande merda, o que não é... é pá, é um filme que tem zombies!

(6/10)
pedro

publicado por jorge às 01:24
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crítica: kill bill vols. 1 e 2

a noiva

um filme de quentin tarantino
com uma thurman, david carradine, michael madsen, lucy liu, sonny chiba e gordon liu
estados unidos, 2003/4 imdb

muito se tem dito sobre as abismais diferenças entre os dois volumes de kill bill, mas tudo se condensa numa equação muito simples: o primeiro é filmado em plano geral; o segundo é filmado em grande plano. quentin tarantino tem tanto de movie geek quanto de académico e conhece os códigos de cada género tão bem como as letras do seu apelido.

no vol. 1 predomina a acção, no vol. 2 a emoção. um privilegia os golpes da hattori hanzo, o outro a profundidade do olhar. o primeiro é um filme estilizado à imagem dos flicks de hong kong, o segundo afina o tom pelos western spaghetti de leone e corbucci. a forma precede a matéria e por aí fora...

o curioso é que, consciente ou inconscientemente, tarantino seguiu com rigor esta lógica filosófica. o vol. 1 é um belíssimo exercício formal deixado em aberto para ser preenchido pela matéria que lhe daria significado quando, seis meses depois, estreasse o vol. 2. uma vez consumada esta união, cada um dos volumes ganha um significado maior – o que lhes valida uma existência individual -, mas, mais relevante, o todo transcende o simples somatório das partes. por outras palavras, kill bill parece ter envelhecido trinta anos transformando-se num vintage há muito guardado na memória.

depois de a noiva ter despachado vernita green e o-ren ishii, é a vez de ajustar contas com budd e elle driver. a violência deixou de ser estilizada e passou a ser brutal, não só de um ponto de vista físico, mas também psicológico. para isso contribui o aprofundamento das personagens; já não estamos perante figuras vazias e somos agora confrontados com a bagagem emocional de cada personagem. percebemos as suas motivações, identificamo-nos e preocupamo-nos com elas. já não somos espectadores distantes, somos cúmplices de tudo o que acontece no filme.

kill bill é um filme de maus e vilões, mas a mestria de tarantino dá-nos a volta e todos nos parecem bons. até a frieza de elle driver merece a nossa admiração. as acções do próprio bill, odiado daqui ao japão, quase que são desculpáveis depois de percebidas as suas motivações... ou se calhar não... seja como for, não conseguimos fugir ao bichinho da ambiguidade. o momento do duelo final entre a noiva e bill é um elogio à dignidade e ao respeito mútuo destas duas personagens e um momento inesquecível de cinema. tarantino volta a superar as expectativas e consegue tornar aquilo que todos já sabíamos ir acontecer em algo surpreendente.

para quem há seis meses se queixou da falta dos característicos diálogos, descansem, tarantino volta a pôr texto sumarento na boca das suas personagens. para quem se queixou que o vol. 1 – bem como qualquer filme anterior de quentin tarantino – era uma colagem de referências cinematográficas, lamento ser portador de más notícias, mas, nessa visão redutora das coisas, o vol. 2 também é. na minha visão das coisas, kill bill é uma celebração de amor pelo cinema, destilando o melhor de cada género, remasterizando esses elementos e atribuindo-lhes uma dimensão mítica.

considerei o vol. 1 o melhor filme de 2003. agora, não só esse filme enriqueceu, como considero o vol. 2 ainda melhor… quer isto dizer que o vol. 2 terá, com toda a certeza, lugar entre os melhores de 2004. não é ainda altura de arriscar uma posição num top 5, mas uma coisa vos digo: se este ano estrearem quatro filmes melhores que o vol. 2, então, teremos o melhor ano de cinema das últimas décadas.

(8/10)
marco

publicado por jorge às 01:13
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Segunda-feira, 3 de Maio de 2004

o regresso do morto-vivo

back.jpg

depois de mais de um mês desaparecido a lidar com a variedade de problemas psicológicos que a não-vida provoca, o zombie faz aquilo em que é melhor e regressa novamente da sepultura, para a grande alegria dos fiéis desta página (todos os três). para a reabertura, este mês, vai haver kill bill com fartura, the butterfly effect, van helsing mais a quantidade habitual de videolixo e o que mais nos aparecer à frente. todos os textos que estavam pendurados há um mês atrás vão continuar pendurados, portanto quanto a isso esqueçam, já não me apetece escrever sobre esses filmes. também não me apetece escrever sobre os outros mas é melhor do que passar o tempo a entalar repetidamente a pila numa porta. a todos os que escreveram a perguntar pela crítica do jesus chainsaw massacre do mel gibson, preferi o lethal weapon 4.

publicado por jorge às 01:33
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