Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2004

crítica: prozac nation

vai um prozac?

um filme de erik skjoldbjærg
com christina ricci, jessica lange e jason biggs
estados unidos, 2001 imdb

as pessoas com casos clínicos de depressão são intragáveis. queixam-se de tudo. estão cheias de uma autopiedade que mete nojo. eu sei. também já estive assim. depois tomei os medicamentos todos que o médico receitou e fiquei melhor.

prozac nation é a adaptação do livro autobiográfico de elizabeth wurtel. lizzie foi o produto de uma família disfuncional. mãe com problemas. pai com problemas. menina com problemas. foi para harvard e ganhou um prémio da rolling stone para jornalismo universitário. deu nas drogas. perdeu a virgindade. ficou deprimida. depois tomou os medicamentos todos que a médica mandou e ficou melhor.

quinze minutos. foi este o tempo que passou até eu ter vontade de esganar a elizabeth wurtzel. a verdadeira e a do filme. o personagem interpretado por christina ricci (que também co-produziu) é tão asqueroso que ao fim de um mísero quarto de hora já não o podia ver à frente. lizzie é irritante, insuportavelmente autocentrada, e caprichosa. e isto é antes da depressão. a senhora wurtzel deve ter sido, durante o período retratado no filme, uma das pessoas mais desagradáveis à face da terra. surpreende-me que ninguém próximo dela a tenha mandado abater.

o filme passa o tempo todo com lizzie, enquanto ela se queixa, humilha toda a gente à sua volta, mente compulsivamente, trai a melhor amiga (michelle williams), arruína as finanças da mãe (lange), aliena o namorado (biggs, que deve ter sentido saudades da tarte), e se queixa mais um bocado para o caso de ainda não termos percebido que ela é uma desgraçada e magoa todos os que ama e os pais separaram-se quando ela era criança e ninguém a percebe e... já chega caraças! eu não quero que ela se cure. quero que ela corte os pulsos e acabe de vez com o seu sofrimento. e com o meu.

todos os envolvidos já viram melhores dias. o realizador erik skjoldbjærg, que foi responsável pela excelente versão original de insomnia, não consegue fazer nada do material. tudo parece artificial e forçado, recheado de truques estafados para ilustrar os estados psicológicos da protagonista. nenhum dos actores está propriamente mal (se bem que a jessica lange esteja a representar um bocadinho mais do que era preciso) mas também nenhum me parece particularmente bem. aplaude-se a coragem de ricci em representar alguém tão insuportável. e tão pouco digno de ser representado.

se o objectivo deste filme é publicitar os antidepressivos o seu trabalho está feito. depois de o ver fiquei a precisar de os voltar a tomar.

1/10
(porque a minha religião me impede de dar menos a um filme que tem o lou reed ao vivo e a christina ricci nua)
jorge

publicado por jorge às 10:45
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