Sábado, 31 de Julho de 2004

críticas de bolso: children of the damned e red planet mars

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children of the damned (1963)
de anton m. leader, com ian hendry e alan badel

sequela nominal ao clássico village of the damned de 1960, aqui há putos assustadores de todas as cores e raças. um projecto internacional descobre seis crianças espalhadas pelo mundo com um grau anormal de inteligência. os miúdos são reunidos em londres onde os cientistas descobrem que nenhum deles tem pai e que, além disso, têm uma tendência lixada para controlar telepáticamente as pessoas à sua volta. o filme até começa bem, e o ar solene de superioridade dos putos é suficiente para provocar uns arrepios, mas rapidamente a coisa descamba numa daquelas reflexões morais sobre a intolerância do homem, a sua reacção violenta a tudo aquilo que não percebe ou que é diferente. quando o dilema ético sobre se se deve ou não exterminar as crianças entra em cena o filme começa a arrastar-se. os putos e a atmosfera gótica dos becos londrinos aliviam parcialmente o tédio mas o final é cobarde, começando por prometer uma interessante metáfora religiosa mas acabando por entregar a resolução da história a uma chave de parafusos. (5/10)

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red planet mars (1952)
de harry horner, com peter graves e andrea king

se muitos dos filmes de ficção-científica produzidos nos estados-unidos durante a guerra fria podem ser vistos como metáforas de paranóia anti-comunista, a maior parte deles tentava pelo menos disfarçar. mas aqui não há lugar para subtilezas. o planeta do título é vermelho e, como todos os vermelhos, só tem um objectivo: destruir a américa democrática e temente a deus. um cientista recebe mensagens de marte via rádio, descobrindo que os habitantes do planeta vivem numa sociedade utópica e ultra-desenvolvida. ora isto são boas notícias, certo? errado! o que isto vai fazer é provocar o total colapso da economia americana (que pelos vistos devia estar totalmente assente na assunção de que os marcianos não seriam nem utópicos nem desenvolvidos). a verdade é que as mensagens não chegam de marte mas sim da união soviética. e o tipo que está do outro lado a minar a moral americana é tão mau que não lhe bastava ser comunista, tinha de ser também ex-nazi. mais obtuso era difícil, não era? então experimentem isto: no fim a voz de deus chega pelo rádio para colocar novamente o mundo no eixos, restaurando a moral americana e tirando a rússia das mãos dos sovietes. porque como toda a gente sabe deus também não gosta nada de comunistas. (1/10)

jorge

publicado por jorge às 23:25
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