Quarta-feira, 21 de Julho de 2004

crítica: django

django

um filme de sergio corbucci
com franco nero, loredana nusciak, josé bódalo e eduardo fajardo
itália, 1966 imdb

carregando a sela às costas e arrastando um caixão, django chega a um mar de lama onde se ergue uma cidade sem nome. veste um miserável uniforme azul da união que significa que django é um ex-soldado da guerra civil americana, ou um ladrão de sepulturas. a dita cidade vive ameaçada por dois bandos rivais; de um lado um bando de mexicanos revolucionários encabeçados pelo general rodriguez; do outro um grupo de sulistas liderados pelo major jackson. django quer vingar-se de jackson por ter morto a sua mulher, mas esse momento está guardado para o final, após muitas voltas e reviravoltas, traições, tiros — muitos tiros; mais do que em muitos westerns juntos e todos disparados de uma só arma! — e gore, muito gore… digamos apenas que alguém come a sua própria orelha e outro alguém tem as suas mãos desfeitas por cascos de cavalos.

há similaridades com a fistful of dollars, mas os dois filmes estão um para o outro como a água para o vinho. corbucci dá aos seus ambientes e às suas personagens identidades próprias que pouco ou nada devem a sergio leone. as motivações podem ser as mesmas — ouro e vingança, mas dentro do género também não há muitas mais —, no entanto, em estilo, leone e corbucci pisam terrenos diferentes (sol e areia para o primeiro, chuva e lama para o segundo). ainda mais notórios são os excessos de corbucci. num género já marcado pela violência, o realizador não faz cerimónia e conduz o seu filme aos extremos da brutalidade e do sadismo.

a fistful of dollars rouba de yojimbo, de akira kurosawa, e django herda essa costela japonesa. o que se começa a perder nesta herança genética é a costela americana. em contrapartida, uma costela italiana, a dos giallo — já presente no filme de leone, mas em estado embrionário — desenvolve-se, abraçando definitivamente o gore e gótico.

django ganhou um estatuto histórico à margem dos filmes de leone por mérito próprio. imortalizou uma personagem, revolucionou o conceito de armamento num western, transformou o actor franco nero numa estrela, originou sequelas e deixou roubar o seu nome por quem quisesse fazer dinheiro à sua custa… o que é que isso interessa? dêem-se as voltas que se derem, the real thing tem um só nome: d-j-a-n-g-o!

(8/10)
marco

publicado por jorge às 01:07
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